quarta-feira, 20 de junho de 2012

Lido: Terrortório

Terrortório (bib.), antologia de terror publicada no final dos anos 80 do século passado, parece ter tido como principal critério uma tentativa de delimitação de um território, e ao mesmo tempo criar uma espécie de seleção nacional de escritores capazes de escrever no género, misturando-os com grandes autores consagrados de outras literaturas, especialmente da americana. Não me convenceu. Vários foram os contos que não me agradaram, e também foram vários os que não me pareceram ter grande coisa (ou coisa nenhuma) a ver com o terror. Há aqui contos de terror, sim, mas também há contos que hoje seriam vistos como fantasia urbana, há um conto humorístico sem nada de assustador (um conto de terrir?), e há até um, ainda por cima muito fraquinho, cuja inclusão em qualquer das literaturas do imaginário me desperta as maiores dúvidas.

Os melhores contos, como talvez fosse inevitável, foram os estrangeiros, e os piores portugueses, embora a fronteira não seja estanque e haja ali uma faixa mediana em que uns e outros se misturam. Não sei se este tipo de mistura é boa ideia. Sim, uma literatura precisa de espaço para se desenvolver, os autores precisam de ser publicados e de dar pelo menos alguns ouvidos ao seu público para irem afinando alguns pormenores. Mas pô-los assim lado a lado com referências internacionais do género é um pouco maltratá-los. Todas as fragilidades saltam mais à vista. Toda a juventude, inexperiência e sobretudo falta de familiaridade com o género em que supostamente estariam a escrever também. Sim, que metade dos autores portugueses estava, à época, apenas no início das respetivas carreiras, e dos outros não conheço nada ligado ao género além do que aqui publicaram.

Mas apesar de tudo isto, não se trata duma má antologia. Há aqui bons contos, e isso, para mim, chega para ter valido a pena a leitura. Seria bom que todos o fossem, mas o mundo não é perfeito.

Eis o que achei de cada um:
Este livro foi comprado.

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