terça-feira, 14 de agosto de 2012

Lido: A Noite e o Sobressalto

A Noite e o Sobressalto é o livro de estreia de Pedro Medina Ribeiro. Trata-se de uma coletânea de contos de horror, fortemente inspirada pela obra de Poe e de outros autores fantásticos do século XIX. Não só os temas e ambientes são quase invariavelmente novecentistas, como o próprio estilo que o autor emprega também o é. Os contos leem-se como se tivessem sido escritos há cem anos ou mais. Talvez por uma necessidade de emular os mestres, talvez por decisão consciente de fazer um pastiche, o que é certo é que ao acabar a leitura a sensação que fica é de não se saber onde está Pedro Medina Ribeiro. É que nestas páginas ele escasseia.

Os contos, em si, não são maus. Vários até estão bem concebidos, com reviravoltas de enredo interessantes e uma escrita que, não sendo perfeita, mostrando aqui e ali sinais de alguma inexperiência ou de insuficiente revisão, é contudo competente. Simples, mas quase sempre eficaz. Mas a verdade é que aquilo que Ribeiro aqui fez já tinha sido feito, e melhor, pelos precisos mestres que ele procura emular. Há cem anos ou mais. E, entre eles e nós, há milhões de páginas de literatura que Ribeiro pura e simplesmente decidiu ignorar. É uma opção, suponho. Mas é uma opção criticável e que a mim, pessoalmente, desagrada.

Mas o pior é mesmo a ausência do autor nestas páginas. Sim, é verdade que ao escrever se começa sempre pela cópia, mas tem de chegar um momento em que se arranja uma voz própria, caso contrário a coisa não funciona a contento. De preferência antes de publicar um livro. Ora, essa voz, aqui, só com dificuldade se vislumbra nos interstícios da cópia/pastiche/seja o que for. E isso faz com que o livro, que até tem qualidades suficientes para não ser um livro mau, também não seja bom. É mediano.

Pedro Medina Ribeiro, parece-me, tem talento. Não sei se muito, se pouco, mas ele parece-me estar lá. Mas se a melhor coisa que se pode dizer do que alguém escreve é que "lembra Fulano", há algo que não está a fazer bem. Portanto, só se Ribeiro se libertar das influências para ser ele próprio poderá ser mais do que alguém com algum talento que escreve umas coisas parecidas com as de outros. Só assim poderá ser realmente Pedro Medina Ribeiro, alguém que escreve coisas suas.

Vamos ter de esperar pelas próximas obras para ver se chega lá. Nesta não chegou. E eu não terei desgostado dela, propriamente, mas também não gostei.

Eis o que achei de cada um dos contos:
Este livro foi comprado.

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