sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Lido: A Maldição de Hemingway

Decerto já viram esta imagem verde e negra aqui ao lado e, se têm acompanhado a Lâmpada nos últimos tempos, sabem que aí vem mais uma opinião a mais um dos contos da Alexandra Pereira. Pois acertaram em cheio.

Este é outro conto sem dedicatória, mas para variar tem um mote: uma notícia do Público, que decerto lhe terá servido de inspiração, sobre um incêndio que destruiu o museu Hemingway nas Baamas. Ou seja, é um conto sem dedicatória explícita, mas com dedicatória implícita; percebe-se logo a abrir que Pereira pretende prestar uma pequena homenagem a mais um dos seus escritores favoritos.

E é o que faz. O título, A Maldição de Hemingway, aponta para histórias de fantástico sobrenatural ou de horror, e realmente é isso o que aqui temos. De uma forma sinuosa no tempo e no espaço, Alexandra Pereira apresenta uma história bem contada que começa pela morte da mãe do protagonista, a qual lhe terá sugerido não muito tempo antes que o pai, que ele não conhecera, tinha sido o escritor americano. Depois da morte da mãe, ele começa a ver o fantasma de Hemingway. Aliás, não só a vê-lo: a ser por ele assediado para que cumpra uma sua vontade: a destruição daquela casa predileta nas Baamas, pois a seu ver fora conspurcada por um fluxo constante de turistas e estava farto. Tinha de a ver destruída e, sendo fantasma, não podia fazê-lo ele.

Um enredo interessante, um português de uma qualidade globalmente boa (há uns pormenores que me desagradam, mas são pormenores), uma estrutura narrativa não inteiramente linear, ainda que não muito sofisticada. Um bom conto.

Contos anteriores deste livro:

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