sexta-feira, 2 de junho de 2017

Lido: Os Três Reinos

O conto que se segue é de José Régio. Trata-se de uma história escrita em jeito de conto popular, ainda que sem a fantasia que quase todos os verdadeiros contos populares têm com fartura, que vai buscar a eles não só o estilo mas também a ambição de ser história exemplar. Enfim, mais ou menos. Fala de um reino e de um rei que tinha três filhos, dois legítimos, gémeos, e um bastardo, e dos problemas ele tem para encontrar entre os filhos um sucessor à altura. Sim, que embora o conto se chame Os Três Reinos o reino do rei é só um. Mas há outros, pelo menos segundo o ponto de vista de dois dos três filhos; há o reino que não é deste mundo, e há o reino que é.

É um conto em que Régio explica com uma ironia corrosiva e plena de subtileza (necessária, muito necessária) quais são as qualidades realmente úteis para quem quer governar um reino. Que é como quem diz um país. Não pode ser a beatice mais ou menos erudita, certamente ascética; tampouco pode ser o amor pela vida. Agora o cinismo... oh, o cinismo é valiosíssimo!

Tendo este conto sido escrito sob ditadura, e tendo Régio sido antisalazarista, compreende-se bem de onde lhe vem a inspiração. A parte deprimente da coisa é que um autor de hoje se calhar recolheria a mesma inspiração mais ou menos do mesmo sítio.

Contos anteriores deste livro:

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