quinta-feira, 4 de maio de 2017

Lido: Repeat Performance

Carmelo Rafala leva-nos a um futuro aparentemente longínquo e muito distópico, repleto de alterações genéticas e backups de personalidade, contando uma história violenta de resgate e vingança ambientada na península do Iucatão, no México. Repeat Performance é uma história complexa, cheia de reviravoltas, e falar muito sobre ela torna inevitável o spoiler, portanto não o farei. Direi apenas que se lê como uma história do João Barreiros sem o cinismo e a ironia habituais no português, misturada com umas pitadas razoavelmente abundantes de Dashiel Hammett e de Tarantino em versão Kill Bill. O enredo, tal como é apresentado ao leitor logo no início, resume-se a uma jovem "pintada" (isto é: alterada e acompanhada em permanência por um animalzinho agressivo e parasitário chamado, adequadamente, chupacabra) que contrata uma mercenária para a ajudar a recuperar o corpo do irmão que está na posse do cartel que controla a cidade de Mérida, chefiado por um tal Durakovic. Mas vai muito além disso, em parte, mas não só, porque, como depressa se percebe, a mercenária tem a sua própria agenda. É um bom conto, este. O interesse é bem sustentado pelo mistério da situação e pela forma hábil como Rafala vai fornecendo aos poucos os bocadinhos de informação necessários ao acompanhamento da intriga, e as reviravoltas não chegam a parecer manipulação gratuita do leitor, como acontece demasiadas vezes neste tipo de história. E a violência, abundante, aparece como um efeito secundário, não como o objetivo principal, o que também é bom.

Contos anteriores deste livro:

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