sábado, 29 de abril de 2017

Lido: Transcendence Express

O que pode uma cientista talentosa e europeia fazer quando se apaixona por um ativista prestes a partir para África a fim de trabalhar como voluntário dos Médicos Sem Fronteiras? Uma cientista de futuro próximo, que trabalha no desenvolvimento de computadores quânticos e tem ideias peculiares e iconoclastas sobre como construir as suas máquinas?

Em Transcendence Express, Jetse de Vries dá-nos uma resposta possível: larga tudo e vai com ele. Mas larga tudo e vai com ele não como as donas de casa das velhas histórias, que acompanham os seus homens para todo o lado, centrando neles as suas vidas, vivendo para os servir, mas como uma cientista altamente qualificada que transporta consigo toda a competência técnica adquirida e vê a mudança de ambiente e circunstâncias como uma oportunidade para pôr em prática algumas das suas ideias.

Através dos olhos cada vez mais incrédulos do parceiro, de Vries leva-nos a ver Leona, assim se chama a cientista, ter um sucesso estrondoso na sua tentativa de cultivar computadores quânticos biológicos a partir de matéria-prima livremente disponível nas terras altas da Tanzânia, onde trabalha como professora voluntária dos miúdos da zona. E acaba por ser ela, não ele, a realmente mudar o mundo, subvertendo desta forma o paradigma do desenvolvimento que exige avultadíssimos investimentos para qualquer verdadeiro avanço tecnológico, o que tem como efeito secundário só poderem ser os países ricos a estar na vanguarda do progresso.

É um conto de ficção científica muito interessante, este. Um conto otimista e cheio de promessa, que nos mostra um futuro que está bem longe dos pesadelos distópicos que tão omnipresentes têm sido nos últimos tempos. Bastante bom.

Conto anterior deste livro:

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