quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lido: A Máquina Voadora

Com A Máquina Voadora (bibliografia), Ray Bradbury leva-nos a um passado já bastante distante, ao ano de 400 AEC, e à China. Mais especificamente, a um momento concreto em que pela primeira vez um homem teria conseguido voar, amarrado a um papagaio de papel. A história que conta é a do que acontece depois a esse homem, quando o seu feito chega ao conhecimento do imperador, e trata-se de mais um dos muitos contos bradburianos em que o tema é a inovação tecnológica e a responsabilidade que ela acarreta.

Trata-se, portanto, de uma abordagem diferente para um tema bastante habitual no autor americano, num conto curto que se pode enquadrar, com boa vontade, na ficção fantástica ou até, com mais boa vontade ainda, na ficção científica, mas é sobretudo filosófico. Por vezes Bradbury parece tecnofóbico, parece — por paradoxal que isso seja num escritor de ficção científica — aconchegar-se a uma noção nostálgica de um passado mítico de infância em que tudo era puro e ainda não tinha sido corrompido pela crueldade da Máquina... ou pelo menos de uma Máquina mais sofisticada do que as que já eram conhecidas nesse passado. Mas neste conto curto transparece aquilo que deverá ser o verdadeiro núcleo dessa aparência de tecnofobia, a ideia de que a tecnologia é uma ferramenta, que pode ser bela, é certo, mas tem um imenso potencial para, nas mãos de gente má, se tornar devastadora.

O conto, esse, é bastante bom. Tão bem escrito como é habitual e com um sumo invulgarmente denso para história tão curta. E, sim, mantém-se muitíssimo atual.

Contos anteriores deste livro:

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