quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Lido: 2014 Campbellian Anthology - Marina J. Lostetter

Marina J. Lostetter aparece nesta antologia com três contos, a saber:

Sojourn for Ephah. Um conto de ficção científica de futuro distante, muito interessante nos conceitos e bastante profundo em termos teológicos, protagonizado e narrado por um tal Padre Thomas, um dos padres de serviço na Catedral da Nossa Senhora dos Céus, que nada mais é do que uma nave espacial pousada durante algum tempo num planeta distante. A história desencadeia-se quando, nos degraus da catedral, surge de repente uma estranha criatura — Ephah — que vai provocar uma autêntica revolução no pacato dia-a-dia eclesiástico. Muito iconoclasta relativamente à teologia católica, na qual se inspira de forma clara, Marina Lostetter consegue, apesar disso, desfazê-la e refazê-la com pinças, apresentando um curioso conceito de deus e contando uma história que é também sobre amor, intolerância e fanatismo. Aqui o velho ateu aprova.

Master Belladino's Mask. Este é um conto de fantasia, protagonizado por uma rapariga — Melanie — que procura a máscara de um curandeiro famoso para tentar curar a mãe muito doente. É que, no universo ficcional que Lostetter aqui nos apresenta, as máscaras trazem consigo não só os conhecimentos como as próprias personalidades daqueles que as inspiraram e ela tem a esperança de que o Mestre Belladino, mesmo reduzido a máscara, seja capaz de fazer alguma coisa, por seu intermédio, para salvar a vida à sua mãe. Mas a máscara do Mestre Belladino é cara e a sua personalidade não é bem aquela com que a jovem contava, o que cria uma porção de problemas e torna a ideia muito incerta. Este é outro conto bastante bom. Bem escrito, sim, mas sobretudo muito bem concebido.

The Prayer Ladder. Outro conto de fantasia, este talvez inspirado pela velha história do feijoeiro mágico. Aqui vamos encontrar uma escada de orações que, de cinco em cinco anos, é subida por um escolhido, que parte carregado com um saco contendo as orações dos aldeões mas nunca mais regressa. Supostamente, ao chegar ao topo da escada encontrará o Céu, onde poderá entregar as orações a quem de direito, que irá conceder metade. Só que desta vez o protagonista e narrador é um rapaz — Damien — só com um braço, o que cria novas dificuldades. O conto narra a ascensão e o que acontece depois, entrecortado por breves explicações sobre os vários aspetos daquela mitologia. O pior dos três contos, parece-me ainda assim ser bom. Marina Lostetter é uma escritora cheia de imaginação que trabalha muito bem as suas histórias.

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