segunda-feira, 8 de julho de 2013

Lido: Billennium

Billennium (bibliografia) é um conto de J. G. Ballard que, embora esteja algo distante do seu melhor (até porque é das suas primeiras obras, antecedendo de um ano tanto a primeira coletânea como o primeiro romance), acaba também por ser bastante típico do autor, no sentido em que encontramos aqui uma sociedade a correr terrivel e grotescamente mal. Ballard é absolutamente brilhante nos seus mundos despovoados e devastados; aqui, encontramos um mundo devastado mas pelo excesso de população, um mundo em que a cada pessoa cabe um espaço de habitação cada vez mais exíguo. A premissa, que não fará grande sentido para um mundo inteiro (muito antes de se chegar a esse ponto a ecologia entraria em colapso, algo que Ballard terá compreendido mais tarde), fá-lo todo para algumas cidades. Tóquio, com os seus hotéis-cápsula, vem repetidamente à mente ao longo da leitura.

Mas o que este conto tem de melhor é a interação entre as personagens. Um homem perde o minúsculo quarto que alugava e decide alugar outro, com um amigo. Iam ficar mais apertados, sim, mas não haveria alternativa. Só que o novo quarto vem a revelar-se uma bênção inesperada, pois no jogo de tabiques com que a cidade está constantemente a reestruturar os seus espaços habitáveis alguém isolara uma sala inteira, à qual conseguem chegar, clandestinamente, deitando abaixo um desses tabiques. Abre-se perante ambos um autêntico paraíso!

Mas depois começam a convidar amigos para se mudarem para lá; afinal, eles tinham tanto espaço só para si, e havia amigos em situações tão complicadas!...

O resultado, mesmo que não seja muito bom enquanto ficção científica propriamente dita, é uma bela e muito irónica reflexão sobre o egoísmo e o altruísmo humanos.

Conto anterior deste livro:

Sem comentários:

Enviar um comentário