quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Lido: Always

Always, de Karen Joy Fowler, é um conto vencedor do Nebula de 2009 por motivos que eu, depois de o ler, fiquei sem perceber lá muito bem. É uma história sobre uma seita religiosa, instalada algures numa comunidade fechada no Oeste americano, cujo líder afirma ter descoberto o segredo da imortalidade, imortalidade essa que confere aos fiéis mediante o pagamento de um montante avultado para poderem aderir à seita. Há no conto algo de fantástico todoroviano, uma vez que nunca chega a ficar inteiramente claro se existe mesmo na seita alguma imortalidade real ou não... embora alguns acontecimentos sugiram que não. Mas, tirando isso, não encontrei no conto fantasia ou ficção científica alguma. Há seitas daquelas às dezenas, nos EUA e não só, lideradas por loucos ou vigaristas carismáticos que conseguem reunir à sua volta entre dezenas e centenas de seguidores. O que torna esta história bastante realista.

Além disso, está bastante bem escrita mas não de uma forma que se conforme aos ditames que geralmente são brandidos nos meios ligados ao género. Há aqui muito pouco que seja mostrado, e muito, muito de contado — a história é contada em jeito de confissão, na primeira pessoa, por uma mulher que adere à seita na juventude e nela vive a vida inteira. Para mim, a coisa até funciona, mas surpreende-me que, com um público tão conservador no que toca às questões mais literárias das literaturas de género, esta história tenha conseguido alguma projeção. É certo que o Nébula é um prémio decidido por júri, mas mesmo assim...

O melhor que esta história tem é, além da literatura propriamente dita, funcionar bem como uma reflexão sobre a mortalidade... mesmo que não haja aqui imortalidade nenhuma. Não que nisso seja original. Mas parece-me que o faz bem. Que resulta. Não posso dizer que tenha gostado muito dela, mas até gostei até certo ponto.

Contos anteriores deste livro:
 

2 comentários:

  1. Caro Jorge, estive à procura do seu email e não o encontrei. Peço-lhe que me envie um email para pjunqueiralopes@letra1.com, por forma a que possa convidá-lo para colaborar com um espaço online.
    Obrigado

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  2. Boa noite, Jorge.
    Já corrigi a mensagem de hoje, na sequência do comentário que deixou no meu blogue (http://acordo-ortográfico.blogspot.pt).
    Abraço.
    António Pereira

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