terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lido: Teorema

Teorema (bib.), de Herberto Helder, é um estranho, mas eficaz, conto curto que joga com o tempo e com as noções de crueldade, de bem e de mal. Na aparência mais superficial, trata-se de um conto de tribunal, embora este seja um tribunal medieval presidido por D. Pedro I, de cognome O Cruel, e o conto seja narrado por um acusado que, nas suas próprias palavras, "gosta bastante deste rei". Ou seja: vê-o como uma espécie de irmão espiritual; revê-se na sua crueldade. Mas o conto está repleto de anacronismos, que julgo serem uma forma do autor dizer que o que então se terá passado e ali relata passou-se igualmente em todas as épocas, das mais remotas às mais modernas. E termina em pleno horror, bastante sangrento por sinal. O mal, talvez seja esse o teorema que Helder se propõe provar, é omnipresente e eterno, e acomete igualmente pessoas de baixa extração social e os ricos e poderosos que as desprezam.

Não sendo daqueles contos que me enchem as medidas, este Teorema pareceu-me francamente bom, com muita leitura para tão curta prosa.

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