quarta-feira, 14 de março de 2012

Lido: O Anjo

O Anjo (bib.) é um conto fantástico de Branquinho da Fonseca sobre um homem que uma bela noite tem um anjo a bater-lhe à porta. Segue-se um diálogo muito emocional entre o homem e o anjo, que eventualmente será o seu anjo da guarda, e de repente, sem que nada o faça prever, aparece na história uma bizarra trama policial com uns polícias muito brutos que o interrogam, tentando arrancar-lhe informações que ele desconhece. A que propósito? A nenhum, que eu tivesse discernido. E depois soltam-no sem propriamente o libertarem. A que propósito? Fiquei na mesma.

Tudo no conto me pareceu gratuito, colado com cuspo, francamente tosco. Nem a utilização da língua, muitas vezes o ponto forte deste tipo de contos sem enredo que se veja, é particularmente inspirada. Sim, entendo, as coisas acontecem-nos, a nossa vida está sujeita a forças que nos transcendem, muito bem. Mas já li histórias magníficas com base nessa premissa, histórias com pés e cabeça, com sumo e miolo. Aquilo que Branquinho da Fonseca faz neste conto fica muito, muito, muito longe dessas histórias. Muito longe.

É para mim completo mistério o motivo por que um conto como este é considerado um ponto alto do fantástico português.

Maçonarices, provavelmente.

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